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CONTRAF, ANAPAR E SEEB
BRASÍLIA DENUNCIAM BANCO DO BRASIL A CVM
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Na última quinta-feira, dia 05 de fevereiro, a
Contraf-CUT, a Anapar e o Sindicato dos
Bancários de Brasília protocolaram denúncia
contra o Banco do Brasil na Comissão de Valores
Mobiliários (CVM), responsável pela supervisão e
regulamentação do mercado de capitais
brasileiro. Na denúncia, as entidades solicitam
que a CVM “apure as irregularidades cometidas
pelo Banco do Brasil e verifique as punições
cabíveis relativamente à contabilização
irregular e às informações inverídicas prestadas
ao mercado” em fato relevante publicado pelo
Banco no dia 23 de janeiro último.
As entidades argumentam que o BB não poderia
contabilizar R$ 5,326 bilhões relativos a ganhos
atuariais futuros com o Plano 1 da Previ, por
serem valores de que não pode dispor hoje nem
poderá no futuro. Por ser patrocinador do plano
de previdência, o Banco julga que terá direito a
metade do superávit do Plano 1 da Previ
contabilizado em reserva especial para revisão
de plano. Mas, segundo as entidades alegam no
documento de denúncia, três são os motivos que
impedem o banco de se apropriar do montante que
resolveu contabilizar no quarto trimestre de
2008.
Em primeiro lugar, a Lei Complementar 109 prevê
a obediência à proporcionalidade de
contribuições entre patrocinador e participantes
para a utilização de reserva especial somente no
caso de redução de contribuições. A Resolução
CGPC 26, que trata de destinação de superávit,
inovou em relação à lei e admitiu a
possibilidade de devolver valores às
patrocinadoras. No entanto, o Sindicato dos
Bancários de Brasília conseguiu liminar em
processo movido contra o presidente do Conselho
de Gestão da Previdência Complementar,
suspendendo os efeitos da Resolução. O banco
estaria descumprindo decisão judicial ao
realizar a contabilização anunciada.
Em segundo lugar, mesmo que a Resolução 26
pudesse ser aplicada, ainda assim o banco não
teria valores dos quais se apropriar. De acordo
com o documento-denúncia, o Plano 1 da Previ
teria encerrado o exercício de 2008 com reserva
matemática de R$ 66,22 bilhões, reserva de
contingência de R$ 16,56 bilhões e reserva
especial para revisão de plano de R$ 9,76
bilhões. Se fossem observados os parâmetros da
Resolução, antes de destinar a reserva especial,
o Plano teria de reduzir sua taxa de juros
atuarial de 5,75% para 5% e de adotar a tábua de
mortalidade AT2000, consumindo R$ 6,80 bilhões
da reserva especial. Além disso, teria de
deduzir o montante desenquadrado em aplicações
em renda variável, correspondente a R$ 8,54
bilhões. Não haveria, portanto, valores a serem
distribuídos.
Finalmente, argumentam as entidades que, para
aprovar qualquer destinação de valores, a
Resolução 26 prevê a aprovação da maioria
absoluta dos conselheiros deliberativos,
exigindo, portanto, o voto de parte dos
conselheiros eleitos. Em documento formal, os
conselheiros deliberativos eleitos afirmam que
votarão contrariamente à devolução de valores ao
patrocinador Banco do Brasil.
As entidades argumentam que, ao contabilizar o
valor de R$ 5,326 bilhões o banco deu
informações inverídicas aos acionistas, já que o
montante relativo à reserva especial não está
disponível para utilização. No fato relevante
publicado, o banco expõe um aumento de R$ 2,520
bilhões em seu lucro líquido, provocando
crescimento dos dividendos a serem distribuídos
aos acionistas.
FONTE: ANAPAR |