"Aprendi
no curso de Direito que,
diz a filosofia, o ser
humano é ruim por
natureza – jamais
concordei com isso e
sempre discuti essa
questão com os meus
mestres. Aristóteles
reflete muita coisa a
respeito,
mas com
pensamento mais próximo
do meu: buscamos o bem
para a nossa realização!
Seja no trabalho, em
casa, na comunidade. A
convivência é uma
virtude e a convivência
com ética e tudo o mais
que ela traz consigo é
uma receita certa de
felicidade. A moral deve
conviver com as relações
humanas e isso faz parte
da ética que, por
conseguinte, faz parte
da realização humana, da
felicidade.
Para um
homem nascido quase
quatro séculos antes de
Cristo, escrever uma
obra desse gabarito,
podemos refletir que
existe algo mais nesse
pensamento filosófico:
talvez iluminado
por Deus? Deus dá o
caminho, o homem escolhe
o que lhe convém e
assume
as
consequências dessas
decisões. Para quem
estudou 19 anos com o
mestre Platão,
logicamente que deste
sofreu influência; além
disso foi educador do
Rei da Macedônia quando
ainda jovem, Alexandre,
que manteve-se próximo e
ofereceu material para
estudo e ajuda
financeira para seu
mestre. Por que?
Alexandre captou parte
desse estudo e soube
discernir a importância
de um homem daquela
magnitude. Aristóteles,
na verdade, sistematizou
o pensamento histórico
da época: utilizou os
sentidos para ter
contato com o objeto; a
impressão deste vem do
intelecto humano; o
intelecto processa isso
e a transforma em
impressão. Essa
impressão é o início da
discussão. Essa é a fase
do conhecer! A Ciência
da época estava divida
em “Teoréticas”,
“Práticas” e
“Produtivas”. A ética
está classificada dentro
de “Práticas”. A obra
“Ética a Nicômaco” (Nicômaco
era seu pai, conceituado
médico) foi completada
quando Aristóteles
estava com 49 anos, já
havia aprendido e
refletido experiências
-
era um homem
maduro, portanto uma
obra que posso
classificar como
consciente e definitiva.
Tanto que é objeto de
estudos até hoje.
O que é
bom e o que é bem? Só
essa matéria já é
suficiente para um
debate prolongado. Se
todo o conhecimento e
todo o esforço visam a
algum bem, esse bem deve
levar o ser humano à
felicidade. Se não fosse
assim não haveria motivo
suficiente para a
dedicação e a busca
desse bem. O que é a
felicidade? É o bem da
alma ou o bem da carne?
Ora, a felicidade é a
busca do seu próprio eu!
Se buscamos algo é
porque a felicidade não
está completa. Riqueza,
conhecimento, honra,
prazer, alegria,
discernimento, poder...
qual a sua felicidade? A
felicidade é produto do
acaso ou providência
divina? As virtudes
humanas, intelectuais e
morais, se completam; a
primeira é proveniente
da educação, da
pesquisa, da experiência
e as morais são
provenientes do hábito,
da moral, da ética, mas
ela não chega sozinha:
temos de exercitá-la.
Segundo Aristóteles a
virtude se relaciona com
as paixões e ações,
podendo ser voluntárias
e involuntárias, o qual
concordo, mas não
restrinjo. Há mais... as
ações involuntárias
merecem perdão e até
piedade. Mas será o ser
humano capaz, todo o
tempo, de agir
involuntariamente dessa
forma? Aí tudo se
mistura; voluntariamente
agimos para punir um ato
involuntário porque
aquilo feriu de morte o
nosso senso de ética, de
moral, de valores. O
agir voluntário, quando
proveniente de ato mal,
merece reflexão no erro,
merece punição e merece
análise das condições
psicológicas do
indivíduo e do meio em
que ele realiza o mal
ato. O bom ato,
voluntário ou
involuntário, merece
sempre aplausos,
sorrisos e, por isso
mesmo pode ser
proveniente de
providência divina.
Discussão sobre o
assunto não levará a
resultado definitivo
nenhum; não conhecemos
adequadamente a nossa
alma, o nosso
involuntário é
proveniente de um
labirinto escuro do qual
não deciframos nem temos
conhecimento – é apenas
involuntário!
Providência divina...
Virtudes morais:
coragem, temperança,
liberalidade,
magnificência, orgulho,
anonimato, calma,
veracidade, espírito,
amabilidade, modéstia,
indignação (e justiça) –
nem todas são
necessárias, nem
eternas. Virtudes
intelectuais: o
conhecimento científico
(artes, sabedoria
prática, razão
intuitiva, sabedoria
-
que é a razão
intuitiva combinada com
conhecimento científico)
é necessário e eterno. O
bem-estar deve ser uma
atividade desejável e
nunca um estado de
espírito ou disposição.
As virtudes morais e
intelectuais podem
trazer isso de forma
natural, devemos
contemplar nossa
capacidade individual
para atingir a
felicidade, passando
antes pelo bem-estar. A
felicidade perfeita é
uma atividade
contemplativa porque o
ser humano também
precisa de felicidade
exterior, mas isso não
quer dizer excesso. A
felicidade exterior está
também numa vida digna e
reconhecida, de respeito
e convivência, não só de
bens. Ela complementa a
felicidade interior.
Para que as duas andem
juntas e se aproximem da
felicidade plena, o
exercício da ética, da
moral e dos bons
costumes deve andar de
mãos dadas numa
mesma
direção. A alma
deve estar em paz, o
espírito iluminado e o
corpo são.
O
trabalho “Ética a
Nicômaco” foi o primeiro
tratado filosófico sobre
o agir humano e por isso
tão importante para
estudo da filosofia e no
ensino da moral. A
contribuição sobre o que
é felicidade e o que ela
precisa faz parte desse
estudo, mas cada um sabe
onde está sua
felicidade; muitos
enganam à muitos, mas
ninguém engana a si
mesmo. Por isso mesmo
esses conceitos devem
ser experimentados para
que cada um traga para
si o que é de fato
importante para esse
tempo passageiro aqui na
Terra. Vale a pena
evoluir? Onde vamos
chegar e onde queremos
se tudo o que
construímos morrerá por
aqui, longe de nós, seus
próprios criadores? A
discussão é
interminável, mas os
conceitos, as reflexões
e os bons caminhos
ficam..."